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«tomai uma mão cheia de terra que pisais
E pintai a vossa casa dessa cor»
cit. Henry David Thoreau
Virá o dia,
que aberto o corpo como quem abre uma gaveta
se queimarão mil memórias emendadas
como cartas que se aguardaram, nunca abertas
[as memórias são inverso e tempo das descobertas]
e eu serei.
Sereno,
virá o dia das minhas todas ilhas desertas,
o que não dancei nas caudas dos cometas
porque não soube, não sei
todas as letras.
Virá o dia,
em que o mundo será uma só rua,
um caminho, uma pedra, um espinho
condensados no barro que na mão tomo
e trago,
do caminho, o perro dia em que desarrumarei as estrelas,
farei lume para o mundo apenas com duas velas,
duas mãos desencontradas e tanto atadas em nó,
como mosto que já não é uva, nem tem sabor do vinho
derramado. E trago como corpo que não se sabe
se pedaço de carne, se arrumo de pó,
essa empenada gaveta onde eu fui um só!
Será o dia,
não mais que uma candeia,
uma caixa de madeira, um tudo nada
que no mundo se incendeia
tragado no voo da ave,
na asa entalhada, será o dia
onde o tempo não será tempo,
nem o espaço, a matéria da madrugada,
que desse, não guardo nada e não sei.
Essa gaveta, não abro,
não tenho a palavra,
não tenho a palavra chave,
a única que nunca saberei, essa
a única que todas as fronteiras
portas, janelas e gavetas abre.
Fevereiro 2011, 20
[imagem: reprodução de trabalho de Sonja Valentina, com autorização da autora.
Um imenso, imenso abraço Sonja!]
Um imenso, imenso abraço Sonja!]
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Ah poeta! Quão profundo e filosófico esse teu poema. Essa gaveta contém o desconhecido, o mistério para todos nós!
ResponderEliminarUm graannde abraço
Leonardo,
ResponderEliminarlembrando a tabacaria onde morrerá a tabuleta, e depois o planeta...este teu poema encheu-me todas as medidas.
do que já li de ti, poso dizer que foi o mais me tocou.
( desculpa as poucas visitas, mas o tempo é muito pouco).
bj
A filosofia que perpassa teu poema dá a ele um significado amplo, abrangente, ao mesmo tempo em que destaca sua beleza quase grandiosa.
ResponderEliminarMuito bonito, Leo. Um dos melhores que já vi aqui na Barca./
Beijo pra você.
Um poema de horizonte(s) infinito(s)...
ResponderEliminarMaravilhoso ler...
Beijinho de Luz, poeta!
Virá o dia...mas neste dia reconfortemo-nos com poemas como este.
ResponderEliminarParabéns pelo blog
Abraço
OA.S
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarLá pela metade da leitura do teu poema, lágrimas insistiam em cair dos meus olhos, tal a profundidade que tocaste no âmago do meu ser - tu - poeta do horizonte - me fizeste chorar de emoção. Beijos
ResponderEliminaras gavetas, Leonardo, escondem loucas surpresas
ResponderEliminarMuitas vezes não nos reconhecemos naquilo que esquecemos ali...e somos aquilo mas não o somos
As palavras, sim, são e sempre são.
um abraço saudoso
e a facilidade do botão curtir faz falta na ausencia do que dizer sobre ! curti!
ResponderEliminarA linha invade restando saudade, do que nunca pára de abrir ou fechar.São os olhos, os traços, tão buracos da mesma terra que nos pariu.Descansar na sua denúncia, escuridão de morte ou instância dúbia.Não há como voltar!As fechaduras são sempre apenas... uma a uma.
ResponderEliminarbeijo
Leonardo, que poema bonito, interessante, complexo! Você é um escritor e tanto. Muito bom conhecer seu blog. Abraço!
ResponderEliminarLeonardo!
ResponderEliminarConheci agora teu blog e já me apaixonei!
Linda forma de ver a vida! E buscar novos horizontes!
Beijo
Oi Leo
ResponderEliminarVim conhecer e fazer parte do seu cantinho, espero tua visita no meu blog.
Bela noite
Beijosss
Olá companheiro da poética!
ResponderEliminaragradecida por conhecer teu blog.
<3
ResponderEliminarexistencial poema Leo , Felicitaciones
ResponderEliminarme ha gustado mucho estos versos
Voy a la luz del mundo con sólo dos velas,
duas mãos desencontradas e tanto atadas em nó, Insatisfechas ambas manos y ambos atados en el nudo
como mosto que já não é uva, nem tem sabor do vinho como uva de vinificación que no es, ni tiene un gusto por el vino
derramado. cobertizo. E trago como corpo que não se sabe Y hacia abajo como el cuerpo que no se sabe
se pedaço de carne, se arrumo de pó, ese pedazo de carne, si un polvo de esquí,
essa empenada gaveta onde eu fui um só! este cajón deformado en el que fue uno!
abrazo grande y buen jueves
Brilhante Leonardo!
ResponderEliminarEssa gaveta sem segredo-palavra para abrir ficou o máximo.
Beijos
Mirze
Essa gaveta é um dos horizontes mais amplos e indefinidos...
ResponderEliminarmergulhei no inexplorado dessa gaveta nem mesmo aberta!
um abraço!