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Para Beth Gibbons
I.
Por colher na luz, ficarão as folhas
a adiada voz da terra,
esse manto pintado de ar,
o subcutâneo céu como útero
e nele, por prender
o gesto que se perde no corpo,
e por colher dos lábios
que se contraem, urgentes,
permanecerão intactas, permanentes
as breves histórias do silêncio.
II.
Por guardar, ficarão os caminhos
em si, amarelecidos e gastos,
os adiados projectos da lágrima,
essa língua viva ou morta, quase esperanto
a margem do rio que resta da voz, da voz da terra
que dentro dos caminhos,
por colher dentro da luz,
por guardar, ficarão como diários
de quem não soube se escrever no tempo
de quem se esqueceu do seu por único
e primeiro grito,
a intacta, por reescrever
a história breve da raiz que cresce
como adiada voz, tinta permanente
do silêncio.
Março 2011, 31
[reprodução de imagem de Beth Gibbons captada por Tricky4x, a qual ainda aguardo autorização para editar, e que eventualmente pode ter que ser retirada… o que espero não venha a acontecer, naturalmente]
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colherei as belezas dessas tuas linhas,
ResponderEliminaremoldurando meus olhar atento
com tuas grafias profundas.
Meu carinho, Léo.
a tina do silêncio permanente colore meus lábios e na tela, sorriso.
ResponderEliminarbjsmeus
Histórias do silêncio...
ResponderEliminarBelo post
Beijinhos
"...breve historia de la raíz que crece como retraso en el habla ,tinta permanente del silencio."
ResponderEliminarasí somo breves , fugaces , el silencio nos escribe y nos dibuja cuando la palabra no es el puente
desamores que se viven a diario
Un abrazo Leonardo, feliz fin de semana:)
gracias por la huella
Da tecitura das palavras às imagens, na urdidura dos versos e estrofes. A força da imagem. A beleza. A homenagem. O poeta [que aplaudo].
ResponderEliminarabraço!
Tudo é o que é, sem nenhuma atenuação!
ResponderEliminarah ms nào pode acontecer não.... nada de retirar. Bastab termos que conviver com o que nào foi escrito, dito, jogado ao horizonte da terra.
ResponderEliminarDeixe-nos ao menos o horizonte indefinido da memória.
lindo Leonardo, lindo meu querido
Nossa que coisa mais linda!
ResponderEliminar...adiada voz...adiada lágrima, quase esperanto...adiada voz, tinta permanente do silêncio.
Super sensibilidade do poeta que acolhe a raíz como se abriga um filho no útero.
Bravo Leonardo!
Beijos
Mirze
Absolutamente surpreendente...
ResponderEliminargostei muito!
abraços
Nina Pilar