2011-03-17

horizonte nº7

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Se avanço, o tanto me afasto
e encomendado que estou ao silêncio,
não incomodarei a sombra da manhã
que há pouco, ainda agora, foi inventada para o mundo.


Se avanço, o tanto me aproximo
da mão que soube compor os atalhos,
o gasto repouso onde acordo o meu passo
o pequeno decalque da torre ao céu, a árvore que
lacrimeja um sopro movediço, a folha, a mínima pele
que se detém suspensa, no ar
no canto breve da casa onde acorda o astro;
E se me detenho, sou do mundo a folha de papel,
a voz que se aclara, claro o detalhe e


Se avanço, estou e traço
e acordo o horizonte onde nada é definitivo,
onde no mundo, o centro é aqui ou ali,
e o todo é coisa que tanto faz,
e faz sentido,
até porque o mais alto dos lugares também pode ser profundo
e aqui, onde avanço o tanto que me afasto
me retorno à sombra que aguardou o tanto da manhã
que há pouco, um pouco antes do astro
ainda era do mundo mais um começo.


Se avanço,
o tanto que me aconteço.


Março 2011, 17



[texto inspirado e “lido” no trabalho de imagem Memorial Day 2009, de Paul A Carter,
gentilmente, autorizou a reprodução, e cujos os direitos detém completamente.
Um enorme, imenso abraço, Paul]

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8 linhas para o horizonte:

  1. A constante incerteza, a subjetividade de tudo.

    Abraço

    OA.S

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  2. Passos incertos...
    Avança, retorna, retoma o passo no solitário
    silêncio da manhã.

    afetuoso abraço, Leonardo

    Marlene

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  3. Fico então a contemplar as paisagens de dentro expostas diante dos teus olhares luzidios que, por agora acontecem.

    Um grande abraço, Leonardo

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  4. el progreso nos ha dado luces sobre muchas ignorancias, pero también muchas armas para destruír todo lo creado

    fuerte poema , fuerte visión poética plasmada
    Felicitaciones Leonardo
    buen fin de semana

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  5. guardo em mim todas as (in)certezas daquilo que um dia fui e quis guardar nos mais (in)certos caminhos, os passos que ainda me esperam (in)certos, certamente chegar.

    Beijos, Léo.

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  6. Japón con su desastre natural, y esa planta de Fukushima que nos tiene en vilo, ahora es Libia, la que nos desgarra la mirada, hasta cuando , hasta donde, este marzo no nos da tregua , primavera u otoño, parece que el tiempo se ha estancado en tres pulsos... impotencia , miedo, horror

    abrazos Leonardo, las fuerzas que nos quedan con ellos, con los que nos necesitan , con quienes tienen el grito ahogado

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  7. Al final, todos los horizontes acaban en los zapatos.
    Abrazos
    ***

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  8. Super interessante o avanço e o retorno em relação à sombra!

    Beijos, poeta!

    Mirze

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