.
Ainda há tempo,
ainda há barro e pedra,
grão da negra terra feita chuva,
para construir, a tão urgente
a grande nuvem
de papel vegetal, agora
que ainda há vento
e aprendizagem do caminho
que invento, devagar.
Ainda há tempo,
ainda há por cosmo um lugar
um peito adivinho e teimoso,
na pegada do primeiro chão
que invento, devagar
nas formas do céu em linho
o corpo da ave, o movimento
do rio que na nascente se demora,
em água anis, e também
o que no mundo se faz ventre,
nuvem dum céu que não erra,
temos ainda
a tábua, o vidro, a pedra,
aqui e todo o lugar, mais além
onde ainda há tempo
para construir, a tão urgente
a pedra mole
que bate dentro, desigual
e para tal, haja a vontade
porque ainda há tempo.
Abril 2011, 26
[texto inspirado no trabalho Away Down the Lane, de Rowan Hunn, a qual reproduzo com autorização do autor, que gentilmente assentiu ao meu pedido. Um muito obrigado!]
.
E enquanto houver tempo há a esperança do desabrochar da poesia a cada tempo, enquanto houver.
ResponderEliminarabraço grande!
Num céu de linho por forma, no movimento do vento, na pedra que margeia o caminho...
ResponderEliminarEm algum lugar no cosmo, na nuvem de crepom,
aqui ou mais além...
Há tempo, sim, poeta!
Carinhoso abraço, Leonardo!
Marlene
A Cerne da Alma proverá belas e poéticas caminhadas!
ResponderEliminar''porque ainda há tempo''
Há sempre tempo, entre o parar e o andar...
ResponderEliminarNas curvas dos cílios sob o sol.
Seu blog é muito bom.
Gostei de está por aqui.
Beijos
ainda há espaço
ResponderEliminarnesse compasso epilético
há lugares
para saberem-se os sabores
os prazeres
as cores
há sim!
Há abraços para se costurar
olhares para compartilhar
há de haver o tempo,
à tempo
pra não se perder de vista.
Meu abraço imenso, Léo.
Samara Bassi.
Belíssimo, me encanta olhares otimistas, diferentes olhares otimistas, como o teu.
ResponderEliminarBejou, Ballerina.
Sempre haverá tempo, porque há urgências que precisam ser construídas... Muito belo
ResponderEliminarBeijos.
Encontrei esse blog que é um encanto
ResponderEliminarsuas poesias são belissima .
Sou brasileira apaixonada por Portugal
isso a muitos anos.
Tomei a liberdade de seguir o seu blog
espero pelo amigo aqui no Brasil.
beijos e beijos com todo carinho,Evanir.
www.aviagem1.blogspot.com
Me ha encantado visitar tu blog Cesar, preciosos versos amigo
ResponderEliminarUn abrazo
Stella
Lindo o entender do tempo que há e do que haverá de vir,
ResponderEliminarMaravilhoso!
Beijos, criança!
Mirze
que verdadeiro o nome de seu blog.
ResponderEliminarÉ isto _ nem fronteiras nem horizontes definitivos, e eles me encantam.
Vim do cerrado, que chamo horizonte-mar, embora mar não haja ali.
Sou mineira, e vou tomar posse como de direito da expressão "confins", de nosso Guimarães Rosa.
Para além de... onde estamos, sempre para além de, em outras palavras, seres transcendentes.
Os horizontes se abrem a cada dia. Gostei do seu blog,Yayá.
ResponderEliminarSim! Ainda há tempo, e como há!
ResponderEliminarTão bom passear por teus versos..