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“I am the mother of all living and
my love is poured out on earth.
I am the beauty of the green earth,
The white moon among the stars,
And the mystery of the waters,
And the desire in the heart of woman.”
de The Charge of the Godess
(em Universal Mother, Sinéad O’Connor)
Vou aprender a ler
no atento escutar,
o nascer do raio
em tudo semelhante
ao astro do dia,
na sua primeira luz,
o corpo inteiro
e pela linha guia, um veio
na palma
na rude linha da vida
de onde me trazes para dentro da mão.
Vou aprender a ler,
ao de leve no toque, onde
saberei as linhas do horizonte
e isso basta-me!
Vou recolher a letra
tingida dentro do peito,
onde bate brusco, o robusto
tão pequeno grão da terra
o poro da pele do mundo
em todo o livro que nasce velho,
na alma
na rude linha da vida
de onde mundos meus se fazem chão.
Vou entender da tinta
que separa a margem do mar,
a asa que se fez anjo na espuma
da onda, e da onda maré,
vou construir um mar, por vezes oceano,
mais um rio sinuoso, em mim
onde o alçado da tempestade
se acalma,
na rude linha da vida
de onde o mar cavado me fez casa,
E chama,
ardente vocábulo que me aparta o espinho
da rosa, dos ventos na branca asa
que em tudo semelhante,
ao astro, resto do rudimentar momento.
E do ventre, invento o poema
a poalha
que de rasto de estrela se fez semente,
o elemento que
na rude linha do termo,
aprendeu do destino cartografado, o vivo coração.
Vai o meu corpo desenhar um pássaro
que apartará de mim todo o vento,
que não seja sopro de cristal, cartografado dentro
do corpo do mundo, em dança errante
na linha guia, membrana e mapa
a vela, resto de estrela.
E do ar que em mim se ateia,
na palma
na rude linha eterna,
de onde o nada do dia, renasce, acontece,
Vou aprender o fragmento
que me sobra do rascunho original,
útero que me habita por elemento,
do todo em mim por terra plena,
a derme do mundo que de meus braços se faz mãe,
e isso, por tanto quanto sei e sinto,
basta-me!
Março 2011, 9
[texto inspirado na fotografia que se reproduz, trabalho de Catharina Suleiman,
cujos direitos detém completamente]
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feita para ler com os dedos...
ResponderEliminarleonardo
ResponderEliminarignorante de mim, me tateando em peles alheias, aprendo todo dia um pouco mais...
e então, basta-me me saber vista por teus olhos, irmào!
Leonardo, é no atento escutar, no sentir silencioso, que aprendemos a ler grandes poetas, como tu.
ResponderEliminarAbraço
oa.s
las palabras nos embarcan en los mares de la imaginación y en la bruma de las ideas absolutas
ResponderEliminarson el agua vital de la Poesía
Gracias por la huella
ten un precioso inicio de semana
Eu preciso confessar que fui junto com o pássaro e enquanto lia seu versar, trilhava a estrada por onde meu passo, incomodado, confessava seu desacerto, ao mesmo tempo que o som que ficou do blog que trouxe-me até aqui desandou a trazer para a pele a certeza de varandas bem merecidas onde eu poderia simplesmente me abandonar por toda a vida ou pelo menos até amanhã, o que dá na mesma de certa forma...
ResponderEliminarBacio
Estou a aprender a ler-te, além das palavras.
ResponderEliminarMeu carinho, Léo.
bonitas as palavras e a foto. um beijo, Matha
ResponderEliminarEmocionante, Leonardo!
ResponderEliminarVocê realmente é um poeta à frente do tempo!
Bravíssimo!
Beijos
Mirze